Total de visualizações de página
domingo, 27 de março de 2011
o grande dragao vermelho e a mulher vestida de sol parte I
Ela chega, fazendo barulho, fazendo pose, fazendo caras, chega com seu nome estranho e sua beleza estranha entre o normal e o exótico, normalmente exótica. Eu nunca fiquei assim antes. Nunca senti isso antes. Ela nunca nem olhou pra mim. Será isso? A clássica atração por rejeição? Um clichê tão barato assim? Ela se senta e eu desenho uma linha entre seus pés quase fazendo noventa graus com o chão, por causa dos saltos, e seu corpo. Ela veste uma espécie de vestido com costuras estranhas que eu penso ser desconfortável, mas que combina com ela. Pelo menos hoje. A aula continua por horas sobre assuntos que eu já conheço e que não merecem minha atenção. O único quadro que vai ter minha atenção no momento é a tela viva que eu descobri a alguns meses. Nunca gostei de pessoas frias ou distantes. Sempre senti repulsa. Mas ela não. Ela me cativou mais do que qualquer aula, sobre qualquer pintor que eu pudesse ter nessa cadeira que não faz parte do meu curso e que faço apenas por prazer. História da arte. Inútil, como meu pai diria. Sim pai, pra um médico como você, com toda a certeza. Entrei na medicina por você e você sabe disso. Posso fazer arte com bisturis também. E ganhar bem com isso. Grande coisa. Não sei por que eu te escutei, talvez por sem um pretenso artista sem talento, ou um talentoso futuro médico sem amor que sente culpa de não querer ajudar os outros. Pra aliviar minha culpa fiz a porcaria da cadeira especial em historia da arte. Ela também não faz Artes. Ela é de outro curso, como eu. Da pra saber pela chamada e porque não fala com muita gente, por enquanto. Por que você está aqui? Não consigo nem olhar nos olhos dela. Não seja ridículo. Ela tem a pele linda. Será que ela vê que eu não paro de olhar pra ela? Ela vai se inclinar pra frente como sempre faz depois de 30 e poucos minutos de aula. A posição permite que eu veja um pedaço de uma tatuagem, uma tatuagem estranhamente bem feita, um pedaço de irezumi, um rabo de dragão japonês e um pedaço do sombreado. Só isso que ela me permite ver. É o que tenho de intimo com essa garota. Eu finjo que a tatuagem é um segredo nosso. A pele dela é muito branca. Como se fosse uma tela. Uma tela viva. O tatuador não deve ter se dado conta da beleza que ela tem. Deve ter se concentrado demais na arte indiscutivelmente bela do dragão. Uma obra-prima. mas que não seria nada se não fosse pelo contraste com a que a carrega no corpo. Eu não consigo parar de admirar. Me sinto atraído. Fraco. Dominado.Por ela e pelo dragão. não consigo separar. ele olha pra mim por baixo do vestido. ela nunca.
segunda-feira, 21 de março de 2011
venha para o lado negro
Paz é uma mentira, só há paixão.
Através da paixão, eu ganho força.
Através da força, eu ganho poder.
Através do poder, eu ganho a vitória.
Através da vitória, minhas correntes são quebradas.
A força me libertará.
Através da paixão, eu ganho força.
Através da força, eu ganho poder.
Através do poder, eu ganho a vitória.
Através da vitória, minhas correntes são quebradas.
A força me libertará.
Peace is a lie, there is only passion.
Through passion, I gain strength.
Through strength, I gain power.
Through power, I gain victory.
Through victory, my chains are broken.
The Force shall free me.
Não há emoção, há paz
Não há ignorância, há conhecimento
Não há paixão, há serenidade
Não há caos, há harmonia
Não há a morte, há a Força!
There is no emotion, there is peace.
There is no ignorance, there is knowledge.
There is no passion, there is serenity.
There is no chaos, there is harmony
There is no death, there is the Force.
Eu corro
Eu corro. Nunca acreditei nessas historias fantásticas de feitos sobre-humanos devido a descargas de adrenalina, nunca mesmo, sempre senti que tentaria qualquer coisa se alguma coisa assim acontecesse, mas que não conseguiria nada útil. Meu filho ainda não viu nem ouviu o cachorro correndo em direção a ele, pois continua brincando sentado, segurando dois bonequinhos, um em cada mão, eu me opus firmemente quando meu marido quis ensiná-lo a subir em arvores, tive medo que ele caísse, não tem nem cinco anos de idade, tinha medo que subisse sem que o pai estivesse perto. Agora ele está lá, sentadinho no banco, embaixo da árvore, na qual podia estar trepado em segurança, na praça em frente a nossa casa e paralela a casa da Antonia, de onde se soltou um pastor belga de 80 kg chamado sultão, nenhuma criança gostava de brincar na casa de Antonia, com os filhos dela, apesar dos caros videogames, por causa do sultão, que sempre foi muito agressivo com qualquer estranho. Eu corro. No momento as pessoas já perceberam que sultão se soltou e começam a correr para todos os lados, mas ele não percebeu e continua na direção do meu filho. Imagens horríveis começam passar na minha mente. Não, não mesmo, hoje não, filho errado, mãe errada, eu não vou deixar, então eu corro. Os cinqüenta metros da minha casa até a praça parecem quilômetros e minhas pernas nem um pouco atléticas começam a falhar, mas meus olhos estão abertos e posso ver meu filho que já viu o cachorro, mas não me viu e está paralisado de medo. Ele começa a chorar e gritar por mim. Isso me dá força. Muita força. E eu corro. Dou graças a deus e a minha mãe por ter plantado aquela árvore ali, logo que meu pai comprou a casa e nos mudamos para esse bairro, quando eu tinha 14 anos. Eu chego um segundo antes do cachorro e olho nos olhos do meu filho, antes de tirá-lo do banco, a única coisa que pude fazer foi colocá-lo em um galho próximo e gritar com toda a força: NÃO SOLTA! Não posso dizer que disse isso somente para o meu filho, meu filho está agora pendurado acima de nós, eu rezo para ter forças para segurar o cachorro até que alguém chegue. Não vou soltar por nada nesse mundo. Ele mordeu minha garganta assim que me derrubou no chão, não sei no que devia pensar nesse momento. Não vou ver meu filho se casar. Nem brigar comigo na adolescência. Nem a primeira namorada. Nem voltar da escola reclamando do professor de matemática. Nem na dor ou no sangue que sai de mim. Só penso em você, cachorro maldito, que pode me despedaçar, mas não vai chegar perto do meu filho. Não hoje. Não solta o galho filho, por favor. A mamãe te ama.
domingo, 13 de março de 2011
Jerusalem
Jerusalem
And did those feet in ancient time
Walk upon England`s mountains green?
And was the holy lamb of god
On England`s pleasant pastures seen?
And did the Countenance Divine
Shine forth upon our clouded hills?
And was Jerusalem builded here
Among these dark satanic mills?
Bring me my bow of burning gold
Bring me my arrows of desire
Bring me my spear, O clouds unfold!
Bring me my charriot of fire.
I will not cease from mental fight
Nor shall my sword sleep in my hand
Till we have built Jerusalem
In England`s Green and pleasant land
Willian Blake
segunda-feira, 7 de março de 2011
Anjo I
Anjo me conduz nessa hora vazia
Corpo de luz e de virtude sem fim
Proteja-me na guerra até o nascer do dia
Se desceres a terra, descerás por mim?
Anjo guia minha mão quando houver esquecido
Das cidades de prata e torres de marfim
Abra-me os olhos quando a luz houver ido
Se chamar teu nome, olharás por mim?
Escuta meu chamado grande serafim
Ficarás ao meu lado quando a fé acabar
A trombeta soar e Teu Irmão despertar?
Se abrir suas asas, lembrarás de mim?
sexta-feira, 4 de março de 2011
To see
To see a world in a grain of sand,
And a heaven in a wild flower,
Hold infinity in the palm of your hand
And eternity in an hour.
William Blake
And a heaven in a wild flower,
Hold infinity in the palm of your hand
And eternity in an hour.
William Blake
quinta-feira, 3 de março de 2011
presa
Está escurecendo, ficando silencioso, mas eu sinto como se toda a selva pudesse ouvir meu estômago, ele se retorce e grunhe para mim, eu peço um pouco mais de paciência, apenas um pouco mais de calma. Não posso fazer o que nasci para fazer com esse barulho todo, eu não posso fazer barulho, eu não estou vivo, eu sou uma pedra, não tenho músculos, não posso me mover, não respiro, é apenas o vento, sou um galho, folhagem, não se incomode, saia, venha comer. A fome é uma arma cruel. Te deixa desesperado, mas focado, fraco, mas obstinado. E acima de tudo impiedoso. Finalmente você sai, admiro seus últimos momentos de vida, toda a tranqüilidade do pasto, você faria diferente se soubesse que vai morrer, faria algo grandioso se soubesse que eu estou aqui? Duvido muito, eu sou um artista, tenho que usar toda a inteligência se quiser comer, ficar contra o vento, saber seus hábitos, preciso lhe conhecer melhor do você conhece a si mesmo. Você só precisa sair de casa e abocanhar um punhado de mato qualquer, sua vida se resume a isso, sem glória, sem a emoção da caçada, de ter duas vidas em suas mãos, sua morte me dá a vida, sua fraqueza me fortalece, você é a colheita de deus e eu sou o colhedor, vou te ceifar, pequeno fruto, e saciar minha sede, você é a presa e hoje é o dia do caçador.
Está escurecendo, perdi a noção do tempo, a cidade é só barulho, mas no momento não ouço nada, te procuro com as mãos e não te acho, assim como brevemente não acharei o próprio ar, já passamos por isso antes, logo vai começar, o tambor martela a minha cabeça, logo eu ouço grilos e cigarras como uma maldita orquestra debaixo da janela, e uma coceira na nuca que a cada minuto vai ficando mais funda, penetrando o meu cérebro, anda logo, não faz isso comigo, eu sei que você gosta de me ver assim, precisando de ti, para poder me aliviar no ultimo instante, mas não completamente, é sempre assim, posso te ver, não posso te tocar, você quer que eu queira, eu não sei como deixar mais claro o quanto te quero, eu te caço pelo quarto, mas quem esta caindo na armadilha sou eu, eu deito na teia, bebo no riacho sabendo que você me vê de dentro da água, ofereço a garganta antes de fechar os olhos, você me puxa com garras e presas e eu gosto da sensação cada vez mais. Você é a predadora e eu serei com prazer a sua presa.
Assinar:
Postagens (Atom)
