Total de visualizações de página

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

o tagarelao de Charles Dodgson

"Era o Assador e os Sacalarxugos
Eslasticojentos no eirado giravam;
Miserágeis perfuram os Esfragachugos
E os verdes Porcalhos ircasa arrobiavam.

'Cuidado, meu filho, com o Tagarelão!
Te morde com a boca e te prende com a garra!
Escapa ao terrível Jujupassarão
E foge ao frumoso e cruel Bandagarra!'

Cingiu à cintura sua espada vorpal
E por longo tempo manximigo buscou;
Da árvore Tumtum na sombra mortal,
Em cismas imerso afinal descansou.
E assim, ufichado em seu desvaneio,
O Tagarelão, com olhos de chama,
Surdiu farejando do bosque no meio:
A gosma supura e a baba derrama!

Um, dois! E dois, um! A lâmina espessa
Cortou navalhando sua espada vorpal!
Deixou-lhe o cadáver e trouxe a cabeça;
Voltou galunfando em triunfo total!

'Pois mataste destarte o Tagarelão?
Vem dar-me um abraço, meu filho valente!
O fragor deste dia! O meu coração
Em êxtase canta loução e contente!'

'Era o Assador e os Sacalarxugos
Eslasticojentos no eirado giravam;
Miserágeis perfuram os Esfragachugos
E os verdes Porcalhos ircasa arrobiavam.'"

Alice no País do Espelho, Lewis Carroll

sábado, 12 de fevereiro de 2011

nascimento

NASCIMENTO
Criar razão na hora vazia
Desabrocha a flor sombria
Perder sentidos em triste euforia
Desabrocha a flor sombria
Cortejar o outono com maestria
Desabrocha a flor sombria
Purificar falsidade da tirania
Desabrocha a flor sombria
Libertar cordeiros e leões em furiosa sangria
Desabrocha a flor sombria

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

kamikaze

Vento divino
Arrepia minhas vértebras
Como flecha enterrada na nuca
Rouba meus sentidos com sua dança maluca
Vento divino
Ergue-te em mim rainha louca
Cobrem meus prados demônios alados
Quando gozo em sua boca
Vento divino
Picos de deusa
Visão que alucina
Morro e renasço ao
Beijar tua vagina
O êxtase em teu leito
É como uma lança
Atravessando o peito
Aquela cuja presença
Extirpa minha agonia
És brisa de ventania
Aquela cujo corpo
Enlouquece-me de tesão
És vento de furacão
Por teu cheiro eu me fascino
És minha meu vento divino

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

nao há


Não há mulher para voltar
Não há filho para cuidar
Não há porta a ser aberta
Não há caminho para trilhar
Luz  ou trevas tanto faz
Eu não posso descansar
Não há mais aquela pedra no muro
Nem essa poema feito no escuro
O silencio é tanto
Que qualquer barulho eu me espanto
Eu e meus demônios
Sentados num canto

short ones

FALTA DE SORTE
ROLETA RUSSA
UM CLICK, A MORTE

POR ISSO QUE EU ANDO TORTO
É MEU ESQUELETO TENTANDO SAIR
PRA FORA DESSE CORPO MORTO

NESSE MUNDO ESTRANHO
MEU DESCANSO É RARO
PASSO O DIA SONHANDO
E A NOITE EM CLARO

assassino

Não pergunte por mim
Aos seus olhos de presa, sou a morte carmim
Não sou certo ou errado
Sou apenas o fim

Justificado pelo meio dos que quiseram assim
estou sempre presente em lugar algum
eu não tenho rosto posso ser qualquer um
Sou aquele que aprenderam a temer desde cedo
Meu estandarte é a culpa, meu escudo é o medo

Não queira saber quem eu sou
Sou a mão de caim e a espada de Heitor
Minha casa é o pesadelo
O meu nome é temor

tensão superficial

Tensão superficial é a ilusão de uma membrana elástica na superfície de um liquido. Também é o que permite a breve existência das bolhas de sabão. Talvez tenha sido pela idéia da bolha de sabão, sendo formada e desaparecendo até explodir que me deu a sensação de ver a tensão superficial dos momentos.  Antes do primeiro golpe dado, ninguém ainda está pronto para arriscar, talvez seja melhor esperar um pouco, um soco errado e a guarda ficará aberta, como saber o que ele está pensando, ele não lhe olha nos olhos, não entrega nem o medo nem a confiança, como saber a hora? As pernas ficam aborrecidas de andar em circulo, querem avançar rápido e impiedosamente, as mãos mesmo silenciadas dentro do couro querem gritar, pular, acertar o alvo, fazer sangrar, mas a cabeça sabe que ainda não é hora, ao menor movimento, o menor vacilo, seja por orgulho ou por vaidade ou por impaciência, você faz aquilo que aprendeu a fazer com muito esforço, a eletricidade vai passar pela terra, subir pelos calcanhares, se multiplicar nos quadris, aquecer no tronco, ganhar mais velocidade nos ombros até finalmente explodir nas mãos, em pouco tempo, mas ainda não. Antes de a chuva cair, quando se está não tão perto nem tão longe de casa, quando o cheiro pesado da umidade do ar torna a precipitação mais que óbvia, não é preciso olhar para o céu, no momento exato, ela ainda não caiu, nem no chão, nem em você, você não escuta, nem sente a água no corpo e nem vê, mas sabe que já começou, o cheiro muda, fica mais pesado, mais espesso. Antes do primeiro beijo, ao conhecer uma nova pessoa, não uma pessoa qualquer, uma pessoa diferente, que diferente de todas as outras não lhe dá tédio, ou nojo, ou raiva, pelo contrario, a pessoa é estranha de um jeito bom, um jeito que lhe faz bem e você não sabe como ou porque só sabe que quer ela perto, você não sabe o que ela pensa de você ou se ao menos  pensa em você, então o que fazer em seguida?  Amizade, coleguismo, convivência harmoniosa? Isso não existe para esse tipo de querer, você percebe agora o quanto essa pessoa é diferente e o momento chega, a conversa não importa mais, o olhar muda, não há mais som ou musica, os poucos centímetros distanciando as cabeças e bocas parecem anos-luz e você esquece do resto do corpo que também não sabe o que fazer direito mas fica pronto para qualquer coisa. Então a bolha de sabão explode, o adversário finta com a esquerda e joga um direto de direita, a chuva cai pesada entrando até na mochila e meias, ela se aproxima com a boca e você fica cego e surdo por um breve momento.